Como poderia ter dito Schopenhauer, somos umas 5 arrobas de filé mignon (no meu caso, cupim mesmo...) infestadas por um punhado de vontade. Submetidos a uma sentença perpétua de vida, pagando por um crime cometido não por nós, mas por nossos pais: o sexo desprotegido. Mas até nesta prisão da existência nos é dado gozar do indulto de férias, e eis que mais um deles se inicia.
Nesta viagem, marcam presença minha primeira maratona internacional, porque arrogância pouca é bobagem, a nerdisticamente turística Chernobyl, porque, convenhamos, um indisfarçável espírito de porco habita cada um de nós, e a Turquia, que passei décadas resistindo a visitar, mas o mundo tem ficado pequeno (bem sabem os desafortunados seguidores de meus últimos blogs de viagem, Morte aos Cangurus e Na Bundinha de Obama...), e, sinceramente, o Sudão ainda não é uma opção.
Desta vez, os objetivos da brincadeira são quatro:
1) Dar ao acaso mais cinco chances de explodir um avião comigo dentro, redentoramente destilando a infecção da senciência de meus neurônios e espalhando libertadoramente minhas banhas por sobre algum oceano. Diz a Estatística que a probabilidade de um acidente aéreo é de 1 em 67.000. Já a de ganhar na Mega Sena fazendo aquela apostinha bunda de seis números é de 1 em 50.063.860, e, admitam, toda semana vocês fazem aquela fezinha secreta, né? Então não me considerem um otimista ingênuo. E além disso, explodir em milhares de cubinhos de bacon é o grande prêmio, mas a simples decorticação traumática já é aceitável... e, de uma forma ou de outra, provavelmente os herdeiros legais ainda devem conseguir resgatar as milhas da viagem....
2) Não quebrar o pau mais do que 42 vezes por dia com a patroa. Ainda que as brigas provavelmente venham a constituir uns 98% da viagem, delas eu não vou contar. Não interessam, seus doentes! E, como afirmou Rubens Ricúpero, o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde. Hipocrisia cotidiana banal, mas custou o ministério ao pobre boquirroto.
3) Tomar um bronze na medula óssea com aquela afortunada radiaçãozinha da antiga usina nuclear.... Certamente não é o meu método de escolha, mas toda morte é uma boa morte, e nunca se sabe quando uma leucemia pode acabar sendo útil...
4) Mostrar, nas fotos do blog, ao menos 90 vezes meu simpático dedo médio. Não porque desejo que qualquer de meus esparsos leitores vá se f....., mas porque, fazendo juz à minha vocação de solitária cassandra, não resisto ao impulso de seguir relembrando que já somos todos nós, intrínseca e essencialmente, uns f.... mesmo....
Bom, é isso aí, divirtam-se. Provavelmente, como sempre, ninguém vai ler mesmo, mas se eu quisesse público, estaria escrevendo auto-ajuda, ou romances psicografados....
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