Continuamos em busca de uma conexão à internet, que o Starbucks local, com os mesmos cafés caros e de sabor indistinguível entre as lojas de cada país, não fornecia. O sol passou a manhã inteira se esforçando para aparecer, como se fosse uma ejaculação agonizando para brotar do pinto de um usuário de 80 mg/dia de fluoxetina.
Mais do que igrejas e muito além do número de lojinhas de souvenir, Brugge sobrevive de sua enorme quantidade de lojas de chocolate, todos devidamente vendidos a peso de platina. Chegam a setenta euros por quilo. No país ali em cima, a menos de uma hora de viagem, tem coisa que a gente fuma, em vez de mastigar, sendo vendida mais barato. E, sempre citando o grande filósofo Moacir Franco, chocolate Neuhaus ou Garoto, tudo vira bosta mesmo....
Ao longo do dia, o sol conseguiu aparecer por um total de uns 11 segundos. O dinheiro por aqui desaparece rápido, não apenas ao comprar chocolate, então, quando encontramos uma apresentação gratuita de um harpista, resolvemos assistir tudo duas vezes. Na primeira, dormi uns 70% do tempo. Na segunda, os outros 30%.
Depois de muitos ensaios frustrados, finalmente, no meio da tarde, conseguimos usar de graça o banheiro do restaurante onde almoçamos. Do contrário, tem que pagar 50 centavos pra dar um barrão, até mesmo no McDonald's ou nos museus. Não me lembro se foi Cioran que disse, mas, se não, deveria ter sido: nossos orifícios nos humilham.
E nenhum fiscal cobrou o bilhete de ida ou de volta de Ghent pra Brugge. 12 euros por cabeça, depositados no traseiro.




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